EUA revogam mais de 175 mil vistos durante governo Trump; maioria dos casos envolve crimes

Departamento de Estado afirma que a maior parte das revogações ocorreu após abordagens policiais. Agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, roubo e crimes relacionados a drogas estão entre os principais motivos.

10/08/2026, 16:54Bruno Rocha
EUA revogam mais de 175 mil vistos durante governo Trump; maioria dos casos envolve crimes

O governo dos Estados Unidos informou nesta segunda-feira (10) que já revogou mais de 175 mil vistos de estrangeiros durante a gestão do presidente Donald Trump. Segundo o Departamento de Estado, as medidas atingem pessoas que teriam violado as condições dos vistos, cometido crimes, fraudado cidadãos americanos, abusado do sistema migratório ou representado riscos à segurança nacional.

De acordo com a pasta, a maioria das revogações ocorreu após encontros dos estrangeiros com autoridades policiais. Entre os principais motivos apontados estão agressão, direção sob efeito de álcool ou drogas, roubo e crimes relacionados a drogas.

O governo também citou casos específicos envolvendo pessoas acusadas de estupro e agressão sexual, sequestro e tráfico de pessoas e posse de material de abuso sexual infantil.

A política de revogação de vistos faz parte do endurecimento das medidas migratórias adotadas pelo governo Trump. O Departamento de Estado também informou que vistos foram revogados de estrangeiros que, segundo o governo americano, comemoraram publicamente a morte do conservador Charlie Kirk.

EUA ampliam exigências para obtenção de vistos

Além das revogações, os Estados Unidos também ampliaram as exigências para determinados estrangeiros que pretendem obter vistos de turismo e negócios.

Desde o fim de julho, cidadãos de 50 países podem ser obrigados a apresentar uma caução de até US$ 20 mil como condição para a emissão de vistos B1 e B2. A medida busca reduzir casos de permanência irregular no país após o vencimento do período autorizado.

O valor da garantia será definido pelos funcionários consulares e poderá chegar a US$ 20 mil por solicitante. Segundo o Departamento de Estado, o programa considera fatores como altas taxas de permanência além do prazo permitido, dificuldades no compartilhamento de informações e deficiências nos processos de identificação e verificação de antecedentes.

O Brasil não está incluído na lista de países sujeitos à nova exigência de caução.

A política representa mais uma etapa do endurecimento da fiscalização migratória promovida pelo governo Trump, que tem como uma de suas principais bandeiras o aumento do controle sobre a entrada e permanência de estrangeiros nos Estados Unidos.