Hospitais lotados fazem bebês prematuros dividirem incubadoras em Gaza

Escassez de equipamentos, medicamentos e alimentos pressiona unidades de saúde; ONU aponta aumento de partos prematuros e de recém-nascidos com baixo peso

14/09/2026, 13:49Bruno Rocha
Hospitais lotados fazem bebês prematuros dividirem incubadoras em Gaza

A crise no sistema de saúde da Faixa de Gaza tem obrigado hospitais a colocar dois e, em alguns casos, três recém-nascidos na mesma incubadora. No Hospital Naser, em Khan Yunis, no sul do território palestino, médicos relatam falta de equipamentos e dificuldade para atender o número crescente de bebês prematuros ou doentes.

Segundo Hatem Dhahir, chefe do departamento de neonatologia da unidade, não há incubadoras suficientes e muitos recém-nascidos precisam de oxigênio. Dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) indicam que cerca de 70% dos recém-nascidos atendidos eram prematuros ou apresentavam baixo peso ao nascer.

Médicos palestinos e organizações humanitárias afirmam que as restrições israelenses à entrada de determinadas mercadorias também dificultam o abastecimento de equipamentos e suprimentos médicos. Israel argumenta que alguns materiais podem ter uso civil e militar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já apontou impactos sobre a entrada de equipamentos laboratoriais, dispositivos ortopédicos e concentradores de oxigênio.

A situação das gestantes também preocupa. Relatório das Nações Unidas relacionou a escassez de alimentos, a falta de medicamentos e a deterioração da assistência médica ao agravamento das condições durante a gravidez. O documento registrou aumento de problemas como abortos espontâneos, natimortos e baixo peso ao nascer.

Quando não consegue acomodar um bebê, o Hospital Naser tenta realizar transferências para outras unidades. O problema é que outros hospitais também operam próximos ou acima da capacidade e nem sempre possuem estrutura para receber pacientes que necessitam de cuidados especializados.

Desde outubro de 2023, o Unicef afirma ter fornecido quase 100 incubadoras para seis hospitais de Gaza, numa tentativa de manter os serviços neonatais em funcionamento. Ainda assim, profissionais relatam dificuldades para atender à demanda diante da escassez de recursos e da pressão sobre a infraestrutura.

Segundo representantes do Unicef, a continuidade do atendimento depende em grande parte do trabalho das equipes de saúde em condições extremamente adversas. Mesmo diante das limitações, médicos e profissionais tentam manter os cuidados aos recém-nascidos e adaptar os recursos disponíveis para preservar vidas.