Mais de mil menores migrantes aguardam registro policial em meio à crise em Ceuta
Cerca de 1.100 crianças e adolescentes desacompanhados permanecem em Ceuta após a onda migratória da última semana. Enquanto recebem proteção legal na Espanha, a cidade enfrenta superlotação nos centros de acolhimento e o número de mortos na travessia já passa de 100.

A crise migratória em Ceuta, território espanhol no norte da África, continua mobilizando autoridades e organizações humanitárias. Nesta quinta-feira (6), uma longa fila de crianças e adolescentes migrantes se formou em frente a uma delegacia para o registro oficial junto às autoridades espanholas.
Segundo o governo local, cerca de 1.100 menores desacompanhados chegaram à cidade durante a onda migratória da última semana e permanecem no território. Pela legislação espanhola, esses jovens possuem proteção especial contra deportação e devem receber assistência do Estado, diferentemente dos migrantes adultos, que podem ser submetidos a processos de expulsão caso não obtenham asilo.
O governo da Espanha anunciou a destinação de 25 milhões de euros (cerca de R$ 146,5 milhões) para reforçar o atendimento aos menores. Apesar da medida, os centros de acolhimento já operam acima da capacidade. O abrigo principal, projetado para receber até 600 pessoas, encontra-se completamente lotado.
A tragédia humanitária também se agrava no mar. As autoridades espanholas atualizaram o número de vítimas da travessia entre o Marrocos e Ceuta, informando que mais de 100 pessoas morreram tentando alcançar o território espanhol.
A recente onda migratória levou aproximadamente 72 mil pessoas a cruzarem a fronteira entre o fim de julho e o início de agosto, impulsionada por desinformação nas redes sociais e rumores sobre uma suposta abertura das fronteiras. Grande parte dos migrantes já retornou ao Marrocos ou foi devolvida pelas autoridades, enquanto a Espanha mantém reforço na segurança e tenta administrar uma das maiores crises migratórias recentes na região.