Ministro de Israel apresenta plano para retirar 250 mil palestinos por ano de Gaza

Itamar Ben-Gvir afirma que proposta poderia retirar toda a população do território em cerca de seis anos e diz que outros países estariam dispostos a receber os palestinos

03/09/2026, 17:24Bruno Rocha
Ministro de Israel apresenta plano para retirar 250 mil palestinos por ano de Gaza

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, apresentou nesta quinta-feira (3) um plano para retirar palestinos da Faixa de Gaza e enviá-los para outros países. Segundo a proposta divulgada pelo integrante do partido de extrema-direita Poder Judaico, aproximadamente 250 mil pessoas deixariam o território por ano.

Atualmente, cerca de dois milhões de palestinos vivem na Faixa de Gaza. Mantido o ritmo proposto pelo ministro, a medida poderia resultar na retirada de praticamente toda a população do território ao longo dos próximos anos. Ben-Gvir afirmou considerar o plano “realista” e alegou que existem países dispostos a receber os moradores, mas não informou quais seriam.

A proposta ocorre em meio a outras declarações controversas do ministro sobre os palestinos. Nas últimas semanas, Ben-Gvir divulgou imagens da construção de uma instalação destinada à execução de condenados à pena de morte e afirmou que o espaço seria utilizado para o enforcamento de pessoas condenadas por terrorismo.

Em outra declaração recente, durante entrevista a um podcast israelense, o ministro defendeu que fossem realizadas execuções de “30 a 40” pessoas por noite em Gaza. Na ocasião, Ben-Gvir também utilizou linguagem desumanizante ao se referir aos moradores do território palestino.

As declarações e propostas partem de Ben-Gvir, integrante da coalizão de governo de Benjamin Netanyahu, e não significam, por si só, que as medidas tenham sido adotadas como política oficial do Estado de Israel.

Os movimentos políticos ocorrem ainda em meio à preparação para as eleições gerais de Israel, previstas para 27 de outubro. Ben-Gvir é um dos principais representantes da extrema direita israelense e integra o atual governo de coalizão.

A Faixa de Gaza permanece profundamente afetada pela guerra iniciada após os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e pela subsequente ofensiva militar israelense no território.