Novo coronavírus é identificado em morcegos na África e chama atenção de cientistas

Vírus apresenta mecanismo inédito de entrada em células humanas, mas risco ainda está em estudo

25/04/2026, 17:52Bruno Rocha
Novo coronavírus é identificado em morcegos na África e chama atenção de cientistas

Pesquisadores identificaram um novo coronavírus em morcegos no Quênia, com potencial de entrar em células humanas. A descoberta foi publicada na revista científica Nature e reacende o alerta sobre doenças que podem ser transmitidas de animais para pessoas.

O vírus, chamado CcCoV-KY43, foi estudado por cientistas da Universidade de Cambridge, em parceria com instituições do Reino Unido e da África. O que mais chamou atenção foi a forma como ele consegue acessar células humanas por meio de um mecanismo até então desconhecido.


Novo mecanismo de infecção

O estudo mostrou que o vírus utiliza um receptor celular diferente, chamado CEACAM6 receptor, ampliando o conhecimento sobre como coronavírus podem infectar humanos.

Até agora, apenas dois tipos de “portas de entrada” eram conhecidos para esse grupo de vírus. A descoberta indica que existem mais caminhos possíveis, o que aumenta a necessidade de monitoramento.


Risco ainda não confirmado

Apesar do potencial identificado em laboratório, não há evidências de que o vírus esteja infectando pessoas atualmente. Os testes foram feitos com proteínas sintéticas, e não com o vírus completo.

Especialistas destacam que conseguir entrar em células humanas não significa, necessariamente, que o vírus consiga se multiplicar ou causar doença.

Casos anteriores, como SARS, MERS e COVID-19, mostram que apenas alguns coronavírus conseguem provocar surtos em humanos.


Importância da vigilância

Os cientistas reforçam a necessidade de monitorar vírus em animais silvestres, especialmente morcegos, que são reservatórios naturais de diversos coronavírus.

A expectativa é que, com mais estudos, seja possível prever riscos de novas doenças com base apenas na análise genética dos vírus e evitar futuras pandemias.