Eduardo Bolsonaro pede que comunidade internacional não reconheça resultado das eleições
Em vídeo publicado após a derrota de Flávio Bolsonaro, ex-deputado alega fraude sem apresentar provas; TSE nega irregularidades, e ministro Edson Fachin defende respeito à decisão dos eleitores.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) divulgou, na madrugada desta segunda-feira (26), um vídeo em inglês nas redes sociais no qual pede à comunidade internacional que não reconheça o resultado das eleições presidenciais brasileiras. Na gravação, ele alega que houve fraude no processo eleitoral, mas não apresenta provas que sustentem a acusação. A manifestação ocorreu após a derrota de seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No vídeo, Eduardo questiona o fato de Flávio ter terminado o primeiro turno à frente e perdido a disputa no segundo. Ele também argumenta que os candidatos eliminados na primeira etapa teriam posições políticas mais próximas às do PL e critica a prorrogação do horário de votação em duas horas, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.
A ampliação do horário, no entanto, ocorreu após solicitações das campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro. A medida teve como objetivo garantir o direito ao voto em municípios afetados por problemas no dia da eleição, conforme as informações divulgadas sobre a decisão.
As declarações de Eduardo foram feitas um dia depois de Flávio Bolsonaro anunciar que pretende pedir a anulação da eleição. O senador também alegou que fiscais do Partido Liberal teriam sido retirados da chamada sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), questionando os procedimentos de fiscalização da apuração.
O TSE negou a acusação e classificou a informação sobre a retirada de fiscais como falsa. Segundo o tribunal, a sala-cofre é um ambiente de acesso restrito, ao qual representantes dos partidos não têm entrada. A Justiça Eleitoral afirmou ainda que integrantes do PL acompanharam normalmente o Teste de Integridade das Urnas, a totalização dos votos e as atividades nas áreas destinadas à fiscalização.
De acordo com o TSE, há registros e imagens que comprovam a presença dos representantes partidários nos procedimentos previstos. O esclarecimento foi apresentado em resposta às alegações sobre possíveis restrições à fiscalização eleitoral.
Também nesta segunda-feira (26), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, defendeu o respeito ao resultado das urnas. O magistrado afirmou que a democracia exige o reconhecimento da vontade expressa pelos eleitores, em meio às manifestações de contestação feitas por integrantes do PL após a derrota nas eleições.
Lula foi reeleito presidente da República com 51,79% dos votos válidos, abrindo uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. A disputa foi marcada pela virada do petista no segundo turno, depois de o candidato do PL ter terminado a primeira etapa da votação à frente.
Dados da Justiça Eleitoral também apontaram redução da abstenção no segundo turno. O número de eleitores que deixaram de comparecer às urnas caiu de aproximadamente 33 milhões no primeiro turno para cerca de 30 milhões na votação final. Também houve diminuição dos votos brancos e nulos.
Apesar das declarações de Eduardo e Flávio Bolsonaro, a Justiça Eleitoral sustenta que não foram identificadas irregularidades capazes de comprometer o resultado proclamado. Até o momento descrito nas informações divulgadas, as acusações apresentadas pelos dois políticos não vieram acompanhadas de provas que demonstrem fraude ou justifiquem a anulação da eleição.