El Niño 2026/2027 pode atingir intensidade 'muito forte' e coloca Brasil em alerta para eventos extremos

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outros órgãos federais alertam que o El Niño tem 100% de chance de permanecer ativo até o início de 2027 e pode atingir intensidade "muito forte". O fenômeno pode provocar enchentes, secas, ondas de calor, queimadas e impactos na agricultura, nos recursos hídricos e no abastecimento de água em diversas regiões do Brasil.

03/08/2026, 11:59Bruno Rocha
El Niño 2026/2027 pode atingir intensidade 'muito forte' e coloca Brasil em alerta para eventos extremos

O Brasil entrou em estado de atenção diante da previsão de um El Niño muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027. De acordo com o Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos federais, há 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início do próximo ano, com grande possibilidade de atingir uma intensidade considerada extrema.

Embora se forme no Oceano Pacífico, o El Niño altera a circulação da atmosfera em escala global, modificando o comportamento dos ventos, das temperaturas e das chuvas. No Brasil, os impactos podem ser sentidos em praticamente todas as regiões, aumentando o risco de enchentes, estiagens prolongadas, ondas de calor, queimadas, incêndios florestais, deslizamentos de terra e prejuízos à produção agrícola.

Na Região Sul, a previsão é de chuvas acima da média, maior frequência de temporais, cheias de rios, enchentes e deslizamentos, cenário que preocupa ainda mais porque o solo já apresenta elevado nível de umidade. No Norte, especialmente na Amazônia, a tendência é de redução das chuvas, aumento das temperaturas, queda no nível dos rios e maior risco de incêndios florestais.

O Nordeste pode enfrentar uma estiagem ainda mais severa, com redução das chuvas, temperaturas elevadas e diminuição da disponibilidade de água em reservatórios. Já no Centro-Oeste, o atraso do período chuvoso, aliado ao calor intenso e à baixa umidade do ar, deve favorecer a ocorrência de queimadas e incêndios em áreas de vegetação nativa e de produção agropecuária.

No Sudeste, incluindo Minas Gerais, os principais efeitos esperados são temperaturas acima da média, ondas de calor mais prolongadas e chuvas irregulares no início da estação chuvosa. Esse cenário pode agravar períodos de seca, aumentar a evaporação, reduzir a umidade do solo e elevar a demanda por água e energia elétrica.

O boletim também destaca que os impactos podem atingir diretamente os recursos hídricos, o abastecimento de água, a geração de energia, a navegação, a agricultura e a segurança da população. Por isso, os órgãos responsáveis recomendam que estados e municípios reforcem ações de prevenção e que a população acompanhe os avisos da Defesa Civil, mantenha o cadastro para recebimento de alertas e adote medidas de autoproteção sempre que houver previsão de eventos climáticos extremos.

Os especialistas ressaltam que cada episódio de El Niño possui características próprias, mas reforçam que, diante das projeções atuais, o acompanhamento constante das condições meteorológicas será fundamental para reduzir riscos e minimizar os impactos do fenômeno nos próximos meses.