Brasil é um dos países mais beneficiados com novas tarifas de Trump; entenda
Mudança na base legal das tarifas deve resultar em queda expressiva nas alíquotas para produtos brasileiros

O Brasil está entre os países mais beneficiados pela nova tarifa global de 15% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que entrou em vigor nesta terça-feira (23).
A mudança ocorre após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou a taxa de 40% aplicada anteriormente com base na International Emergency Economic Powers Act (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional).
O chamado tarifaço foi considerado ilegal pelo Alto Tribunal, que entendeu haver abuso de poder na utilização da Ieepa para taxar parceiros comerciais. Em reação, Trump classificou a decisão como “idiota e estúpida” e afirmou que utilizaria outros instrumentos legais para manter a política tarifária.
No sábado (21), a Casa Branca oficializou a nova alíquota de 15%, desta vez fundamentada na Seção 122 da Lei de Comércio dos EUA, alterando a base jurídica da medida.
Brasil lidera lista de beneficiados
Segundo levantamento do Global Trade Alert (GTA), entidade internacional que monitora dados comerciais, o Brasil aparece como o maior beneficiário da mudança.
As tarifas aplicadas aos produtos brasileiros devem cair, em média, de 26,3% para 12,8%, o que representa um recuo de 13,56 pontos percentuais.
A China continua sendo o país mais taxado pelos Estados Unidos, mas também terá redução relevante: as tarifas caem de 36,8% para 29,7%, uma diminuição de 7,1 pontos percentuais.
Por outro lado, países que anteriormente tinham alíquotas menores passarão a pagar mais com a uniformização em 15%. É o caso do Reino Unido, que terá aumento de 2,1 pontos percentuais, e da Itália, com elevação de 1,7 ponto percentual.
O estudo destaca que o novo regime reduz desigualdades anteriores nas cobranças:
“Sob o regime anterior, a diferença era grande: países como a China e a Índia enfrentavam tarifas muito acima da média global, enquanto o Canadá, o México e a maioria dos exportadores europeus ficavam bem abaixo dela. O regime da Seção 122, com alíquota de 15%, reduz significativamente essa diferença.”
Impacto na competitividade brasileira
De acordo com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a nova tarifa não compromete a competitividade do Brasil no mercado internacional, justamente por ter sido aplicada de forma ampla.
“Os 10% global é para todos. Nós não perdemos competitividade, se é 10% geral. O que estava acontecendo é que o Brasil estava com uma tarifa de 40% que ninguém mais tinha”, afirmou.
Com a mudança, o Brasil deixa de enfrentar uma alíquota significativamente superior à média global e passa a competir em condições mais equilibradas no mercado norte-americano, o que pode gerar alívio para exportadores e setores estratégicos da economia brasileira.