Ex-diretor da OMC vê poucas chances de Brasil reverter tarifa de 25% dos EUA

Roberto Azevêdo afirmou que a decisão do governo norte-americano de aplicar sobretaxa sobre produtos brasileiros deve ser mantida. Audiências públicas em Washington discutem os impactos da medida antes da decisão final.

06/07/2026, 17:37Bruno Rocha
Ex-diretor da OMC vê poucas chances de Brasil reverter tarifa de 25% dos EUA

O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que considera "muito difícil" que o Brasil consiga reverter a decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada nesta segunda-feira (6), em entrevista à CNN Brasil.

Segundo Azevêdo, a sinalização recebida de autoridades norte-americanas indica que a implementação das tarifas está praticamente definida.

"Estive recentemente no Departamento de Estado e no USTR, e a mensagem que recebi foi muito clara: os impostos e as taxas serão implementados. Acho muito difícil que, nesta altura, consigamos reverter essa decisão", afirmou.

O diplomata explicou que a medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump para fortalecer a indústria dos Estados Unidos e aumentar a arrecadação federal.

De acordo com Azevêdo, a administração norte-americana aposta no aumento das tarifas de importação para estimular empresas a ampliar ou instalar fábricas no país, reduzindo a dependência de produtos estrangeiros.

Audiências em Washington

Representantes dos setores produtivos do Brasil e dos Estados Unidos participam, entre esta segunda-feira (6) e terça-feira (7), de audiências públicas promovidas pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington.

Os encontros fazem parte da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

A investigação cita questões como o Pix, acordos comerciais preferenciais, etanol, desmatamento, corrupção e pirataria como justificativas para a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Durante as audiências, representantes de empresas, associações, federações, câmaras de comércio e demais entidades terão cinco minutos para apresentar argumentos técnicos sobre os possíveis impactos da medida. Também estão previstos momentos para questionamentos por parte do USTR.

A decisão final sobre a aplicação da sobretaxa de 25% está prevista para o próximo dia 15. Caso seja confirmada, a medida poderá afetar diversos setores da economia brasileira e as relações comerciais entre os dois países.