Brasil sobe no ranking, mas segue entre os piores em crescimento industrial no mundo

A indústria de transformação brasileira cresceu 1,5% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, acima da média mundial, mas registrou retração de 0,1% na comparação anual. Com isso, o Brasil ocupa a 69ª posição entre 90 países no ranking global de crescimento industrial, apesar de ter avançado 11 posições em relação ao trimestre anterior.

31/07/2026, 13:48Bruno Rocha
Brasil sobe no ranking, mas segue entre os piores em crescimento industrial no mundo

Mesmo com uma recuperação no início de 2026, a indústria brasileira ainda enfrenta dificuldades para acompanhar o ritmo de crescimento das principais economias do mundo. Um novo levantamento mostra que o país segue longe das primeiras posições no ranking global de desempenho industrial.

Dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), com base em informações da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), apontam que a indústria de transformação do Brasil cresceu 1,5% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, desempenho acima da média mundial, que foi de 1,2%. Apesar disso, na comparação com o mesmo período de 2025, houve uma retração de 0,1%, fazendo o Brasil ocupar apenas a 69ª posição entre 90 países avaliados.

O resultado representa uma melhora de 11 posições em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o país aparecia na 80ª colocação. No entanto, o cenário ainda preocupa: na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o Brasil perdeu 22 posições, e, em relação ao mesmo período de 2024, a queda chega a 36 posições, evidenciando a perda de competitividade da indústria nacional nos últimos anos.

Segundo o relatório, um dos principais fatores que explicam esse desempenho é o alto patamar das taxas de juros, que reduz investimentos, dificulta o acesso ao crédito, desestimula o consumo e limita a expansão da produção industrial. A desaceleração da economia também contribui para um ambiente de menor dinamismo no setor.

Mesmo com o resultado modesto, o Brasil apresentou desempenho superior ao de países como Alemanha (-2,6%), México (-1,8%), Chile (-3,7%) e África do Sul (-0,3%) na comparação anual. Ainda assim, permanece no terço inferior do ranking mundial, mostrando que a recuperação da indústria segue lenta e distante do ritmo necessário para recolocar o país entre as economias de maior crescimento.

Especialistas avaliam que a retomada consistente da indústria dependerá de fatores como redução dos juros, aumento dos investimentos, maior confiança do setor produtivo e fortalecimento da competitividade brasileira no mercado internacional.