Aquecimento global leva NOAA a reformular cálculo de El Niño e La Niña
A agência climática dos EUA anunciou mudanças no método de monitoramento dos fenômenos após constatar que o modelo anterior já não refletia adequadamente os impactos do aquecimento global no Pacífico.

A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) anunciou uma reformulação na maneira de identificar os fenômenos El Niño e La Niña, diante das mudanças provocadas pelo aquecimento global nas temperaturas do Oceano Pacífico.
Durante 75 anos, a classificação dos eventos foi baseada na comparação das temperaturas registradas em três áreas do Pacífico Tropical com uma média histórica considerada “normal”. Contudo, com o aumento acelerado das temperaturas globais nas últimas décadas, essa referência passou a não representar mais com precisão o padrão climático.
A NOAA já havia adotado a prática de atualizar a média de referência a cada cinco anos, mas avaliou que a medida ainda era insuficiente para acompanhar a velocidade das transformações climáticas. Diante desse cenário, a agência desenvolveu um novo índice de monitoramento.
Pelo modelo atualizado, a temperatura média da área analisada deixa de ser comparada apenas a recortes específicos e passa a considerar todas as regiões tropicais do Pacífico. A mudança pode gerar diferenças de até 0,5°C na análise — variação considerada significativa para a caracterização oficial de El Niño e La Niña, fenômenos que influenciam padrões de chuva, temperatura e eventos extremos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.