Pesquisa encontra bactérias resistentes e antibióticos em cágados no ES
Animais reapareceram após décadas, mas indicam contaminação ambiental em área protegida

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) identificou a presença de bactérias resistentes e resíduos de antibióticos em cágados encontrados no Rio Itapemirim, dentro da Floresta Nacional de Pacotuba.
Os animais, considerados ameaçados de extinção, voltaram a ser registrados na região após mais de 40 anos sem aparições — um sinal positivo para a biodiversidade, mas acompanhado de alerta ambiental.
Contaminação preocupante
Segundo o veterinário e professor Paulo Henrique Braz, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), os cágados apresentaram sinais de contaminação por substâncias normalmente associadas ao ambiente hospitalar.
Entre as possíveis causas estão:
Descarte irregular de medicamentos
Resíduos hospitalares que chegam aos rios
Poluição indireta mesmo em áreas protegidas
Animais como “termômetro ambiental”
Os cágados são considerados bioindicadores, ou seja, refletem diretamente a qualidade do ambiente onde vivem.
Podem viver mais de 100 anos
Acumulam contaminantes ao longo da vida
Indicam problemas na água e no solo
Redescoberta da espécie
A espécie foi reencontrada na floresta em 2025, após 45 anos sem registros. Desde então, nove indivíduos foram identificados.
Durante as pesquisas:
Os animais são capturados sem ferimentos
Passam por medição e pesagem
Têm sangue coletado para análise
Esses dados ajudam a entender melhor a saúde das espécies no Brasil, que conta com mais de 30 tipos de cágados.
Risco de extinção
Diversas espécies seguem ameaçadas, como o cágado-do-paraíba (Mesoclemmys hogei), considerado criticamente em perigo devido à poluição e perda de habitat.
O estudo reforça o alerta: mesmo áreas protegidas não estão livres dos impactos da ação humana, especialmente quando há falhas no descarte de resíduos e no saneamento.