Onças-pintadas podem entrar em extinção na Mata Atlântica por falta de alimento, alerta pesquisa
Bioma tem menos de 300 animais e pode se tornar o primeiro do mundo a perder um predador de topo da cadeia alimentar

A redução das populações de presas na Mata Atlântica pode acelerar o risco de extinção da Onça-pintada no bioma, segundo alerta de pesquisadores em estudo publicado na revista científica Global Ecology and Conservation.
A pesquisa aponta que a falta de alimento — causada principalmente pela diminuição de espécies como Porco-do-mato, Cateto e cervídeos — compromete a sobrevivência das onças em áreas fragmentadas da floresta, inclusive dentro de unidades de conservação.
O desaparecimento dessas presas está relacionado à perda de habitat e à pressão da caça ilegal. Atualmente, a Mata Atlântica abriga menos de 300 onças-pintadas, número considerado crítico pelos especialistas.
Segundo os pesquisadores, caso o cenário continue se agravando, o bioma pode se tornar o primeiro do mundo a registrar a extinção de um predador de topo da cadeia alimentar.
O estudo contou com a participação de especialistas ligados ao Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio), ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), à Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e ao Projeto Onças do Iguaçu – Instituto Pró-Carnívoros.
Os autores alertam que medidas urgentes são necessárias para restaurar a abundância de espécies que servem de alimento para as onças e reforçar a proteção das áreas ainda preservadas. Sem essas ações, a espécie pode desaparecer não apenas do Brasil, mas também de países vizinhos como Argentina e Paraguai.