Sargaço invade praias brasileiras com mais frequência e preocupa pesquisadores
Toneladas de algas chegam ao litoral e podem afetar turismo, pesca e ecossistemas; estudo da USP aponta falta de monitoramento para dimensionar o fenômeno

Grandes volumes de sargaço têm chegado com frequência às praias brasileiras, formando extensos bancos de algas e criando desafios ambientais e econômicos para municípios costeiros. Segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Pará e Maranhão estão entre os estados que mais registram ocorrências.
O sargaço encontrado no litoral é formado principalmente pelas espécies Sargassum natans e Sargassum fluitans, que vivem livremente na superfície do oceano. As algas podem formar grandes concentrações no Atlântico tropical e percorrer longas distâncias transportadas por ventos e correntes marítimas.
Pesquisadores da USP analisaram registros científicos e notícias sobre encalhes ocorridos entre 2010 e 2025. O levantamento aponta que ainda faltam dados sistematizados sobre a quantidade, composição e distribuição das algas ao longo da costa brasileira, dificultando a avaliação da evolução do fenômeno.
Um dos episódios de maior dimensão ocorreu em Salinópolis, no Pará, em 2025. Pesquisadores estimaram aproximadamente 42,8 mil toneladas de biomassa acumuladas nas praias, utilizando coletas e mapeamento aéreo com drones. Apesar do volume, somente cerca de 4% do material teria sido retirado.
A remoção exigiu uma grande operação logística, com média de 45 caminhões por dia durante 11 dias. O caso demonstrou as dificuldades enfrentadas pelos municípios quando grandes quantidades de sargaço chegam simultaneamente à faixa de areia.
Além de comprometer o uso das praias e afetar o turismo e a pesca, o acúmulo prolongado pode provocar impactos ambientais. Durante a decomposição, a matéria orgânica pode liberar gases de odor desagradável e alterar as condições das áreas costeiras.
Os pesquisadores afirmam que não existe uma única explicação para o aumento dos encalhes. Temperatura e salinidade da água, disponibilidade de nutrientes, ventos e correntes marítimas estão entre os fatores capazes de influenciar o crescimento e o transporte das algas.
A falta de séries históricas abrangentes também impede previsões precisas sobre quando e em qual quantidade o sargaço chegará às praias. Para os pesquisadores, ampliar o monitoramento é fundamental para entender o fenômeno e permitir que cidades costeiras desenvolvam estratégias de prevenção, retirada e destinação adequada da biomassa.