Aquecimento global acima de 1,5°C ameaça saúde, agricultura e economia mundial
Especialistas alertam que avanço das temperaturas pode intensificar ondas de calor, secas, chuvas extremas e prejuízos econômicos em diferentes regiões do planeta

O avanço do aquecimento global para além de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais pode aumentar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos e ampliar impactos sobre a saúde, a agricultura, a infraestrutura e a economia. O alerta ocorre após as Nações Unidas indicarem que o planeta deve ultrapassar esse limite nos próximos anos.
Segundo especialistas, ondas de calor mais intensas, secas prolongadas, chuvas extremas e perdas na produção de alimentos estão entre as consequências que podem se agravar com o aumento das temperaturas. Para André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), ainda é possível alterar essa trajetória, mas seriam necessárias medidas urgentes para reduzir as emissões e combater a perda de florestas.
A presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), Thelma Krug, destacou que não apenas a temperatura atingida, mas também o período durante o qual o planeta permanecer acima de 1,5°C será determinante para a dimensão dos impactos. Segundo ela, a temperatura global já está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais e avança aproximadamente 0,26°C por década.
Os efeitos também podem ser sentidos diretamente na economia. O economista Sergio Margulis afirma que prejuízos relacionados à infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Ele defende uma ampliação dos investimentos destinados à descarbonização e à transição energética.
Atualmente, segundo Margulis, aproximadamente US$ 2 trilhões são destinados anualmente à descarbonização, mas seriam necessários cerca de US$ 5 trilhões ou mais para acelerar a transformação da economia mundial. Paralelamente, governos também precisarão investir em medidas de adaptação para reduzir os danos provocados pelas mudanças climáticas.
Especialistas ressaltam, entretanto, que somente a adaptação não é suficiente para interromper o aquecimento. Entre as medidas consideradas fundamentais estão a redução do uso de combustíveis fósseis, o combate ao desmatamento e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.
Com a aproximação da COP31, o debate sobre a expansão dos combustíveis fósseis e as estratégias para limitar o aumento da temperatura global deve voltar ao centro das negociações climáticas internacionais. A avaliação dos especialistas é que quanto mais o planeta ultrapassar o limite de 1,5°C e quanto maior for a duração desse período, mais difícil será reverter os efeitos do aquecimento.