Super El Niño ganha força e pode provocar mudanças no clima em diversas partes do mundo
Modelos meteorológicos internacionais indicam que um novo episódio de El Niño está se intensificando no Oceano Pacífico e pode atingir níveis extremos até o fim de 2026. Caso as projeções se confirmem, o fenômeno deverá alterar os padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil, que pode registrar mais chuvas no Sul e períodos de seca no Norte e Nordeste.

Um novo episódio de El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico e pode atingir intensidade considerada extrema até o fim de 2026, segundo projeções de centros meteorológicos internacionais. A análise, divulgada pelo portal especializado Severe Weather Europe com base em dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), aponta que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial vem ocorrendo de forma acelerada e pode superar episódios históricos registrados nas últimas décadas.
Caso as previsões se confirmem, o fortalecimento do fenômeno deverá provocar mudanças significativas na circulação da atmosfera, alterando a posição e a intensidade da corrente de jato — faixa de ventos em grande altitude responsável por influenciar a formação de frentes frias, tempestades e sistemas de chuva em várias regiões do planeta. Os meteorologistas ressaltam, no entanto, que previsões sazonais ainda apresentam margem de incerteza e dependem da evolução das condições oceânicas e atmosféricas nos próximos meses.
Na América do Norte, os modelos indicam aumento das chuvas em áreas do sul dos Estados Unidos durante o outono, mudanças na distribuição das temperaturas ao longo do inverno e maior atividade de sistemas meteorológicos vindos do Oceano Pacífico. Já na Europa, os efeitos tendem a ser mais discretos durante o verão, mas podem se intensificar com a chegada do outono e do inverno, alterando o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes países.
No Brasil, embora o estudo tenha foco principalmente na América do Norte e na Europa, especialistas lembram que episódios fortes de El Niño costumam provocar impactos importantes também na América do Sul. Historicamente, o fenômeno favorece o aumento das chuvas na Região Sul, elevando o risco de temporais, enchentes e deslizamentos, enquanto parte das regiões Norte e Nordeste pode enfrentar períodos mais secos e redução dos volumes de chuva. Além disso, temperaturas acima da média são esperadas em diversas áreas do país, o que pode afetar a agricultura, os recursos hídricos e aumentar o risco de queimadas.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação dos ventos e da atmosfera, influenciando diretamente o clima em diferentes continentes. Quando atinge níveis muito elevados, o evento passa a ser classificado por meteorologistas como um Super El Niño, condição capaz de provocar impactos climáticos mais intensos, duradouros e abrangentes em escala global.