Estudo alerta que Amazônia pode perder até 38% de sua cobertura florestal até 2060

Pesquisa da UFMG aponta que mudanças climáticas podem acelerar a savanização da Amazônia nas próximas décadas. Segundo o estudo, transformações equivalentes às ocorridas ao longo de 3,3 milhões de anos podem acontecer em apenas algumas décadas, com impactos severos para a biodiversidade e o clima.

04/08/2026, 12:23Bruno Rocha
Estudo alerta que Amazônia pode perder até 38% de sua cobertura florestal até 2060

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) acende um novo alerta sobre o futuro da Amazônia. De acordo com a pesquisa, o bioma pode perder até 38% de sua cobertura florestal potencial até 2060, caso o cenário de altas emissões de gases de efeito estufa se confirme. O avanço da chamada savanização pode transformar grandes áreas de floresta em vegetações mais abertas, alterando profundamente o equilíbrio ambiental da região.

Publicado no Journal of Biogeography, o estudo reconstruiu a história da vegetação tropical ao longo dos últimos 3,3 milhões de anos, analisando como desertos, savanas, florestas, áreas úmidas e formações arbustivas evoluíram diante das mudanças climáticas naturais. A principal conclusão é que transformações que antes levavam milhões de anos para ocorrer podem acontecer em apenas algumas décadas devido ao aquecimento global.

Os pesquisadores destacam que um núcleo correspondente a cerca de 38% da Amazônia permaneceu coberto por floresta durante todo esse período geológico. Paradoxalmente, essa estabilidade pode representar uma vulnerabilidade ainda maior, já que muitas espécies evoluíram em condições praticamente constantes e podem não conseguir se adaptar rapidamente às mudanças climáticas atuais.

Além da redução da cobertura florestal, o estudo aponta para uma expansão das savanas e de outras formações vegetais abertas, cenário que pode provocar perda de biodiversidade, alteração dos ciclos hidrológicos, redução da umidade na região e impactos sobre o clima em diferentes partes da América do Sul.

A pesquisa também comparou a Amazônia com a Mata Atlântica. Enquanto a Amazônia permaneceu relativamente estável durante milhões de anos, mais da metade da Mata Atlântica passou por mudanças naturais ao longo da história. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que o principal fator de ameaça à Mata Atlântica atualmente continua sendo o desmatamento provocado pela ação humana.

Segundo os autores, a combinação entre mudanças climáticas, queimadas, desmatamento e outras pressões ambientais pode acelerar ainda mais a degradação dos biomas brasileiros. Por isso, defendem que a conservação da biodiversidade depende tanto da redução das emissões globais de gases de efeito estufa quanto do fortalecimento das políticas de combate ao desmatamento, aos incêndios florestais e às atividades predatórias.

O estudo reforça que proteger áreas consideradas historicamente estáveis deve ser uma prioridade nas estratégias de conservação, já que elas podem concentrar espécies mais sensíveis às rápidas mudanças ambientais previstas para as próximas décadas.