Homem é denunciado por feminicídio após morte inicialmente tratada como suicídio em BH

MPMG acusa namorado de matar Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, por asfixia; órgão aponta interesse patrimonial e comportamento possessivo

11/09/2026, 12:24Bruno Rocha
Homem é denunciado por feminicídio após morte inicialmente tratada como suicídio em BH

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou Adalton Martins Gomes, de 45 anos, pelo feminicídio da namorada, Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos. A jovem foi encontrada morta em 9 de fevereiro, no apartamento onde morava, na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Inicialmente, o caso foi tratado como possível suicídio.

Segundo a denúncia apresentada à Justiça nesta quinta-feira (10), Giovanna teria sido morta por asfixia mecânica por sufocação direta. O Ministério Público sustenta que o acusado teria agido motivado por interesse no patrimônio da vítima e por sentimento de posse.

O MPMG também afirma que o crime teria sido cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da jovem. A promotoria pede que o acusado seja pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

De acordo com as investigações, Giovanna e Adalton começaram a se relacionar em outubro de 2025. A Polícia Civil aponta que, ao longo do relacionamento, o homem teria adotado comportamentos controladores e possessivos. Familiares e amigas relataram mudanças significativas no comportamento e na rotina social da estudante durante o período.

Giovanna foi encontrada sem vida por uma amiga que havia combinado um almoço com ela. Caixas de medicamentos encontradas no imóvel e o histórico de depressão da jovem contribuíram inicialmente para a hipótese de suicídio. Amigas da vítima, porém, levantaram suspeitas sobre as circunstâncias da morte, e o caso passou a ser investigado pelo núcleo especializado em feminicídios da Polícia Civil.

As suspeitas foram reforçadas pelo laudo de necropsia, que apontou asfixia por sufocação direta. A investigação também analisou o comportamento do namorado após a morte. Segundo a Polícia Civil, ele entrou com uma ação para reconhecimento de união estável pós-morte no mesmo dia do enterro e teria procurado amigas da vítima para obter apoio ao pedido.

A polícia também identificou contradições em declarações atribuídas ao investigado. Em um áudio, ele teria afirmado que Giovanna morreu em seus braços, embora, segundo a investigação, uma amiga da estudante tenha sido responsável por acionar a polícia após encontrá-la no apartamento.

Com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, caberá agora à Justiça analisar a acusação e decidir se o réu será pronunciado para responder pelo feminicídio perante o Tribunal do Júri. As acusações ainda serão submetidas ao processo judicial, com direito à defesa e ao contraditório.