Casa Branca lança jogos sobre deportação de imigrantes e provoca críticas nos EUA

Um dos jogos coloca assessor de Trump para capturar e deportar imigrantes, enquanto outro simula a construção de um muro na fronteira com o México

04/09/2026, 16:10Bruno Rocha
Casa Branca lança jogos sobre deportação de imigrantes e provoca críticas nos EUA

A Casa Branca provocou críticas nesta quinta-feira (3) após lançar jogos eletrônicos que abordam a deportação de imigrantes sem documentos e o controle da fronteira dos Estados Unidos com o México. As publicações foram condenadas por representantes de grupos de direitos humanos.

Um dos jogos é inspirado no clássico “Snake” e utiliza gráficos retrô. Nele, o jogador controla um personagem que representa Tom Homan, principal assessor de imigração do presidente Donald Trump, com o objetivo de reunir pessoas que atravessaram o Rio Grande, na fronteira com o México, e deportá-las.

Outro jogo disponibilizado pela Casa Branca é baseado na dinâmica de “Tetris” e propõe a construção de um muro na fronteira. O conteúdo recebeu o título “Proteja a fronteira da horda que se aproxima”, segundo as informações divulgadas.

A iniciativa ocorre em meio à intensificação das políticas de detenção e deportação de imigrantes pelo governo Trump. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), quase 51 mil imigrantes sem documentos foram presos em agosto, número que o órgão classificou como recorde.

Organizações de direitos humanos criticaram a transformação das operações migratórias em entretenimento. Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, afirmou à AFP que a iniciativa trata de maneira inadequada situações que afetam diretamente a vida de milhares de pessoas.

A Casa Branca, por sua vez, defendeu os jogos. Em comunicado enviado à AFP, afirmou que o conteúdo reforça o contraste entre o que classificou como uma cultura “divertida” e “de sucesso” e a visão política dos democratas.

A publicação também ocorre após o DHS divulgar um vídeo mostrando imigrantes haitianos algemados durante uma operação de deportação, conteúdo que foi criticado por opositores do governo, que o classificaram como degradante e racista.

O uso de conteúdos provocativos faz parte da estratégia de comunicação adotada pela atual administração norte-americana nas redes sociais, frequentemente recorrendo a linguagem, memes e referências da cultura digital para gerar repercussão e ampliar o alcance de suas mensagens.