Hamas anuncia acordo para desarmamento e retirada gradual de Israel da Faixa de Gaza
O Hamas anunciou um acordo com Israel que prevê o desarmamento do grupo e a retirada progressiva das tropas israelenses da Faixa de Gaza. A medida integra a segunda fase do cessar-fogo firmado em 2025 e contará com mediação internacional, além da atuação de uma força multinacional para garantir a segurança no território. Israel ainda não comentou oficialmente o anúncio.

O Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) um acordo com Israel que prevê o início do processo de desarmamento do grupo palestino e a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza. Segundo o movimento islamista, o entendimento faz parte da segunda fase do cessar-fogo firmado em outubro de 2025, após dois anos de conflito, e representa um dos avanços diplomáticos mais importantes desde o início da guerra.
De acordo com os termos divulgados pelo Hamas, a retirada das tropas israelenses será realizada de forma progressiva e estará condicionada ao processo de entrega das armas do grupo. O armamento será catalogado e armazenado por uma comissão formada por tecnocratas palestinos ligados ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), sem participação direta das forças israelenses. Após a retirada de Israel, a segurança do território deverá ser assumida por uma Força Internacional de Estabilização (ISF), composta por tropas multinacionais que atuarão em conjunto com uma nova força policial palestina.
A implementação do acordo será acompanhada pelo Conselho da Paz, organismo criado pelo governo dos Estados Unidos, e contará com a mediação de Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos. Segundo o Hamas, representantes das partes deverão se reunir nos próximos dias, no Cairo, para definir o cronograma de execução, processo que pode levar pelo menos duas semanas. O grupo afirmou ainda que o cumprimento do acordo dependerá do compromisso de Israel em respeitar todas as cláusulas estabelecidas.
Até o momento, o governo israelense não se pronunciou oficialmente sobre o anúncio. Enquanto isso, a situação humanitária na Faixa de Gaza continua crítica. Mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo, Israel manteve operações militares em partes do território, onde milhares de pessoas seguem vivendo em acampamentos improvisados. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 1,2 mil palestinos morreram desde o início da trégua, enquanto o Exército israelense informou a morte de cinco soldados e um funcionário civil no mesmo período. As restrições de acesso ao território dificultam a verificação independente dos números e da situação no local.