ONU critica restrições à liberdade de imprensa em meio a conflito no Oriente Médio
Organização aponta medidas adotadas por EUA, Israel e Irã que limitam expressão e acesso à informação

A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou, nesta quarta-feira (1º), o avanço de medidas que restringem a liberdade de imprensa e de expressão em países envolvidos no conflito no Oriente Médio.
Segundo o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, há uma tendência de governos utilizarem o cenário de guerra como justificativa para limitar direitos civis.
“Estamos testemunhando uma grave subjugação do espaço civil à segurança em toda a região, com severas restrições impostas ao exercício da liberdade de expressão e de reunião pacífica”, afirmou em comunicado.
A ONU destacou que o Irã e outros países da região têm adotado medidas de controle da comunicação, enquanto também apontou ações dos Estados Unidos e de Israel que podem impactar a atuação da imprensa.
Entre os exemplos citados estão restrições impostas por autoridades militares israelenses à cobertura jornalística e a possibilidade levantada pela Comissão Federal de Comunicações dos EUA de revogar licenças de transmissão de veículos considerados críticos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi mencionado após declarações em que celebrou mudanças no setor de mídia. Em publicação na rede Truth Social, o republicano afirmou que estaria “remodelando a mídia”, citando demissões em veículos como o The Washington Post e cortes de financiamento à NPR.
No Irã, a ONU também chamou atenção para um “apagão digital” em vigor desde janeiro, período em que o país enfrentou manifestações populares contra o custo de vida, ainda durante o governo do ex-líder supremo Ali Khamenei.
A organização avalia que as restrições simultâneas em diferentes países indicam um cenário preocupante para a liberdade de imprensa global, especialmente em momentos de crise e conflito armado.