Estudo alerta que mortes por meningite seguem acima da meta estabelecida pela OMS
Pesquisa publicada na The Lancet Neurology aponta que o ritmo de redução dos óbitos por meningite ainda é insuficiente para alcançar a meta da Organização Mundial da Saúde de reduzir as mortes para cerca de 90 mil até 2030.

Apesar da redução no número de mortes por meningite em todo o mundo, os óbitos causados pela doença ainda permanecem acima da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O alerta é de um estudo publicado em maio deste ano na revista científica The Lancet Neurology, com base em dados de 2023 do Global Burden of Disease Study (GBD).
Considerada a mais ampla pesquisa internacional já realizada sobre o tema, o levantamento analisou 17 agentes causadores da meningite, incluindo bactérias, vírus, fungos e parasitas.
Segundo o estudo, o ritmo atual de queda das mortes é insuficiente para atingir a meta da OMS, que prevê uma redução de 70% em relação aos cerca de 300 mil óbitos registrados em 2015. Em 2023, foram contabilizadas aproximadamente 259 mil mortes pela doença. Para cumprir o objetivo até 2030, esse número deverá cair para cerca de 90 mil.
O que é a meningite?
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Embora seja causada principalmente por bactérias e vírus, a doença também pode ser provocada por fungos, parasitas, doenças inflamatórias, traumas e até reações a medicamentos.
Em entrevista à Itatiaia, o médico epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro, do Hermes Pardini, destacou que as meningites bacterianas são as formas mais graves da doença.
"É uma doença que sempre preocupa pelo potencial de gravidade; ela pode levar à morte ou deixar sequelas. Muitos agentes causam a meningite, como vírus, fungos e bactérias. As bacterianas são as mais graves, especialmente o bacilo da tuberculose, o pneumococo e o meningococo", explicou.
As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis. As meningites bacterianas são mais frequentes durante o outono e o inverno, enquanto as virais costumam ocorrer com maior incidência na primavera e no verão.
Entre as possíveis complicações estão pneumonia, perda auditiva, sequelas neurológicas, amputações e até a morte.
Sintomas
Os principais sintomas incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz.
Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem incluir irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada. Casos graves também podem apresentar confusão mental, convulsões, dificuldade para despertar e manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A principal estratégia para prevenir a meningite é a vacinação. No Sistema Único de Saúde (SUS), estão disponíveis imunizantes que protegem contra diferentes agentes causadores da doença, entre eles:
BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa;
Vacina pneumocócica;
Vacina pentavalente, com proteção contra o Haemophilus influenzae tipo b;
Vacina meningocócica C;
Vacina meningocócica ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y do meningococo.
Especialistas reforçam que manter o calendário vacinal em dia é a medida mais eficaz para reduzir casos graves, sequelas e mortes causadas pela doença.