Café especial ganha espaço no Sul de Minas e produtores investem em agricultura regenerativa

Família de Varginha aposta em cafés de qualidade, tecnologia e conservação do solo para enfrentar mudanças no mercado e os desafios provocados pelo clima

10/09/2026, 15:23Bruno Rocha
Café especial ganha espaço no Sul de Minas e produtores investem em agricultura regenerativa

O mercado de cafés especiais vem ganhando espaço no Brasil e transformando a produção no Sul de Minas, uma das principais regiões cafeeiras do país. Na Fazenda dos Tachos, em Varginha, uma família que trabalha há décadas com a cultura deixou a produção exclusivamente voltada para commodities e passou a investir em cafés especiais a partir de 2008.

A propriedade existe desde 1780, embora o cultivo do café tenha começado somente no início do século XX. Atualmente, Adelino e Zezinha, casados há 48 anos, seguem à frente da atividade e acompanham as mudanças no comportamento dos consumidores, que passaram a buscar diferentes variedades, sabores e experiências relacionadas à bebida.

Segundo Adelino, o crescimento das cafeterias também contribuiu para aproximar os cafés especiais de um público mais jovem. Para o produtor, o interesse por variedades novas e produtos com características próprias vem abrindo oportunidades para propriedades que investem na qualidade dos grãos.

Ao mesmo tempo, as condições climáticas representam um dos principais desafios da cafeicultura. Desde 2021, produtores da região enfrentam episódios de geada, granizo e períodos de seca, capazes de comprometer a florada, reduzir a produtividade e alterar o planejamento das propriedades. O seguro rural ajuda a amenizar parte das perdas, mas nem sempre cobre todos os prejuízos.

O acesso ao crédito também permanece importante. A família já utilizou recursos do Funcafé para financiar investimentos e adquirir equipamentos necessários à produção. Segundo Adelino, linhas de financiamento ajudam produtores que não possuem capital suficiente para realizar todos os investimentos com recursos próprios.

Para aumentar a eficiência e tornar a lavoura mais resistente às mudanças climáticas, a Fazenda dos Tachos passou a apostar também na agricultura regenerativa e no uso de novas tecnologias. Entre as ferramentas utilizadas estão drones, que podem reduzir a circulação de máquinas pesadas na propriedade e contribuir para diminuir a compactação do solo e o consumo de combustível.

A conservação do solo é considerada uma das prioridades da produção. Na avaliação da família, melhorar as condições do solo e preservar o meio ambiente também contribui para a qualidade e a sustentabilidade da cafeicultura. Para Adelino, a agricultura regenerativa tende a ocupar um espaço cada vez maior nas propriedades rurais.

Depois de décadas dedicadas ao café, o casal afirma que a atividade continua sendo profissão e paixão. A participação em concursos de qualidade também funciona como incentivo para aperfeiçoar a produção a cada safra, buscando reconhecimento e resultados melhores em um mercado cada vez mais interessado em cafés de alta qualidade.