Colheita dos vinhos de inverno começa com expectativa de safra 15% maior em 2026
A safra de uvas dos vinhos de inverno já começou em diversas regiões do Brasil. Impulsionado pela técnica da Dupla Poda, o setor projeta crescimento de 15% na produção e aposta na expansão da vitivinicultura de alta qualidade.

A colheita da safra 2026 dos chamados vinhos de inverno já começou em vinícolas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, marcando mais um avanço da vitivinicultura nacional. Produzidos com o auxílio da técnica da Dupla Poda, que transfere a colheita para o período seco do inverno, os vinhos brasileiros têm conquistado reconhecimento internacional pela alta qualidade. Segundo a Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), a expectativa é de um crescimento de 15% na produção em relação ao ano anterior. Atualmente, as 56 vinícolas associadas somam cerca de 1,49 milhão de pés de uva e produzem aproximadamente 1,1 milhão de garrafas por ano.
Na Chapada Diamantina, na Bahia, a colheita já está em ritmo intenso, favorecida pelas condições climáticas que permitem o cultivo de variedades como Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. No Centro-Oeste, com destaque para Goiás e Distrito Federal, a colheita ocorre entre julho e agosto e reúne uma ampla diversidade de castas, incluindo Syrah, Merlot, Chardonnay, Malbec, Nebbiolo, Tempranillo, Viognier e Sangiovese. Já no Sudeste, onde estão Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as variedades Syrah e Sauvignon Blanc lideram a produção de rótulos premiados em concursos internacionais.
Desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas pelo pesquisador mineiro Murilo Regina no ano 2000, a técnica da Dupla Poda revolucionou a produção de vinhos finos no país ao inverter o ciclo da videira, permitindo que a maturação das uvas ocorra durante o inverno, quando há menor incidência de chuvas, maior amplitude térmica e melhores condições para o desenvolvimento dos frutos. O resultado são uvas com maior concentração de açúcares, aromas e compostos fenólicos, características que elevam a qualidade dos vinhos brasileiros.
Além da inovação tecnológica, o setor é formado majoritariamente por propriedades familiares, responsáveis por cerca de 90% das vinícolas associadas à Anprovin. A atividade tem se consolidado como alternativa de diversificação para produtores rurais que antes se dedicavam principalmente ao café, à pecuária e à produção de grãos. Com investimentos em certificação de origem, infraestrutura e pesquisa, a associação projeta triplicar sua capacidade produtiva até 2029, consolidando o vinho de inverno brasileiro como uma referência internacional em qualidade e inovação.