Exportação de carne bovina: Brasil descarta novo rateio à China e vira ‘calo’ dos EUA
Decisão busca preservar estabilidade e reforça competitividade brasileira no mercado global

O governo brasileiro decidiu manter o atual modelo de rateio das exportações de carne bovina destinadas à China, descartando a inclusão de novos frigoríficos na divisão das cotas. A avaliação, confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, é de que a estrutura atual deve ser preservada, já que o país asiático sinalizou que não habilitará novas plantas brasileiras pelos próximos três anos.
A decisão ocorre após Pequim estabelecer salvaguardas que limitam as importações brasileiras a cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Caso esse volume seja ultrapassado, será aplicada uma tarifa de 55% sobre o excedente.
Estabilidade e previsibilidade no comércio
Diante das restrições impostas pelo principal parceiro comercial, o governo brasileiro adotou uma estratégia voltada à previsibilidade e à estabilidade do setor. Segundo o assessor especial do ministério, Carlos Augustin, não há motivo para reservar cotas a novos exportadores, uma vez que não haverá habilitações adicionais no curto prazo.
Nesse cenário, o governo pretende manter os percentuais históricos das empresas já autorizadas a exportar, garantindo segurança jurídica e continuidade aos frigoríficos com operações consolidadas no mercado chinês.
A coordenação dos embarques ficará sob responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que fará o monitoramento das vendas para evitar o esgotamento antecipado da cota anual.
A importância dessa gestão é estratégica, já que a China responde por cerca de metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil, consolidando-se como o principal destino do produto nacional.
Brasil ganha protagonismo e pressiona os EUA
Além das questões com o mercado asiático, o governo brasileiro também destacou o avanço do agronegócio nacional frente à concorrência internacional, especialmente dos Estados Unidos.
Segundo Carlos Augustin, o crescimento brasileiro em setores como soja, milho, algodão e carne bovina transformou o país em um dos principais concorrentes globais dos americanos.
O assessor criticou o uso de tarifas como instrumento comercial pelos Estados Unidos, classificando a estratégia como uma tentativa de proteção de mercado diante da maior eficiência e competitividade brasileira.
Diversificação de mercados é prioridade
Enquanto enfrenta restrições e disputas comerciais, o Brasil busca ampliar sua presença em outros mercados, especialmente no Oriente Médio e em países asiáticos, como forma de reduzir a dependência exclusiva da China.
A estratégia reforça o posicionamento do país como uma das principais potências globais do agronegócio, com capacidade de adaptação frente às mudanças no cenário internacional e às novas barreiras comerciais.