Banco Central impõe sigilo de 8 anos a documentos da liquidação do Banco Master

BC afirma que divulgação imediata poderia afetar estabilidade financeira e investigações em andamento

06/04/2026, 12:16@radiobomsucesso
Banco Central impõe sigilo de 8 anos a documentos da liquidação do Banco Master

O Banco Central do Brasil determinou sigilo de oito anos sobre os documentos relacionados à liquidação extrajudicial do Banco Master. A informação foi obtida por meio da Lei de Acesso à Informação.

Segundo a autarquia, a divulgação imediata dos dados poderia comprometer o interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país.

A classificação como secreta foi definida pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025. Com isso, os documentos devem permanecer restritos até novembro de 2033.


Justificativa do sigilo

O Banco Central argumenta que os arquivos podem conter informações sensíveis que impactam:

  • Atividades de inteligência

  • Investigações em andamento

  • Processos de fiscalização

  • Ações de prevenção e repressão de infrações no sistema financeiro


TCU cobra esclarecimentos

O tema também está sendo acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Jhonatan de Jesus solicitou, em março, que o BC detalhe quais partes do processo precisam permanecer sob sigilo ou se há possibilidade de liberação parcial.


Liquidação do Banco Master

A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada em novembro de 2025, após a identificação de:

  • Grave crise de liquidez

  • Comprometimento da situação econômico-financeira

  • Violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

Além do Banco Master S/A, também foram incluídas na medida outras instituições do conglomerado:

  • Banco Master de Investimento S/A

  • Banco Letsbank S/A

  • Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários

Na época, dados do Banco Central indicavam que o grupo representava cerca de 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional.

A decisão de manter os documentos sob sigilo reforça a cautela da autoridade monetária diante de possíveis impactos no mercado e no andamento das investigações relacionadas ao caso.