Justiça mantém prisão preventiva de Daniel Vorcaro após audiência de custódia
Banqueiro e dono do Banco Master foi preso na terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga crimes contra o sistema financeiro

A Justiça Federal em São Paulo manteve a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (4). O empresário, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal durante a terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes contra o sistema financeiro nacional.
Com a decisão judicial, Vorcaro será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo. Além dele, o cunhado do empresário, Fabiano Zettel, também teve a prisão preventiva mantida e será levado para a mesma unidade prisional.
De acordo com a Polícia Federal, a nova prisão ocorreu após investigadores encontrarem mensagens no celular do banqueiro que indicariam tentativas de interferir nas investigações, além de ameaças contra jornalistas e outras pessoas consideradas críticas ao escândalo envolvendo o banco.
Segundo os investigadores, mesmo após ter sido preso pela primeira vez em novembro do ano passado, Vorcaro teria continuado atuando para ocultar recursos ligados ao Banco Master.
Bloqueio bilionário
Durante a investigação, a Polícia Federal também identificou movimentações financeiras suspeitas. Em relatório citado no processo, os agentes apontam que, no dia em que foi deflagrada a segunda fase da operação, em 14 de janeiro, foi bloqueado o valor de R$ 2,245 bilhões em uma conta vinculada a Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. O montante estava em uma conta administrada por uma gestora de investimentos da Reag Investimentos.
Suspeita de organização criminosa
Na decisão que manteve a prisão preventiva, o ministro André Mendonça destacou que as provas documentais reunidas pela investigação indicam que o grupo ligado ao banqueiro, conhecido como “A Turma”, atuava de maneira estruturada e com divisão de tarefas.
Segundo o magistrado, essa estrutura é uma característica típica de organizações criminosas.
Ainda conforme a decisão, foram identificadas ordens diretas de Vorcaro para intimidar pessoas, incluindo concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas, com o objetivo de proteger os interesses do grupo e obstruir a Justiça.
Defesa nega acusações
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o banqueiro não tentou interferir nas investigações relacionadas ao caso do Banco Master. Os advogados declararam que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e que tem colaborado com o trabalho da Justiça desde o início do processo.
“A defesa reitera que Daniel Vorcaro sempre atuou de forma transparente e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades”, afirmaram os advogados.