Câncer ginecológico: médica alerta para sintomas que podem passar despercebidos

Sangramento fora do período menstrual, dor pélvica, corrimento persistente e aumento do volume abdominal estão entre os sinais que devem ser investigados

04/09/2026, 11:14Bruno Rocha
Câncer ginecológico: médica alerta para sintomas que podem passar despercebidos

A campanha Setembro em Flor reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres ginecológicos. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, cerca de 30 mil mulheres desenvolvem algum tipo dessas neoplasias todos os anos no Brasil.

De acordo com a oncologista Graziella Piló, cinco tipos de câncer podem atingir os órgãos reprodutivos femininos: colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina. Entre eles, o câncer do colo do útero é o mais frequente e tem como principal fator de risco a infecção persistente por determinados tipos do HPV.

Alguns sinais podem ser confundidos com outras condições e acabar passando despercebidos. Sangramento fora do período menstrual, dor pélvica persistente, sensação de pressão na parte inferior do abdômen e corrimento estão entre os sintomas que precisam ser avaliados por um profissional de saúde, principalmente quando persistentes.

No caso do câncer de ovário, os sinais podem aparecer de forma menos específica. Segundo a especialista, muitos diagnósticos ocorrem em fases mais avançadas, quando podem surgir aumento do volume abdominal e dores recorrentes. Por isso, alterações persistentes no organismo não devem ser ignoradas.

A médica também chama atenção para o corrimento persistente, especialmente quando não apresenta melhora após tratamentos para causas mais comuns, como infecções ou inflamações. O mesmo vale para qualquer sangramento fora do período menstrual, que deve ser investigado, embora nem sempre esteja relacionado a um câncer.

A prevenção também envolve o acompanhamento ginecológico e o rastreamento adequado. Além do exame Papanicolau, a pesquisa do HPV por DNA é outra ferramenta disponível para identificar alterações relacionadas ao risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero.

Outro ponto fundamental é a vacinação contra o HPV. O imunizante é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para diferentes grupos conforme critérios de idade e condições específicas. Em 2026, uma campanha de resgate também contempla adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na faixa etária recomendada, com mobilização prevista até 31 de dezembro.

A orientação é manter consultas e exames preventivos em dia e procurar atendimento médico diante de alterações persistentes. A identificação da doença em estágios iniciais pode aumentar as possibilidades de tratamento e cura.