Diabetes pode dificultar recuperação e agravar sequelas após Covid-19, aponta estudo da USP

Pesquisa com 870 pacientes identificou maior ocorrência de problemas cardiovasculares, quedas, fragilidade e dificuldades de mobilidade entre pessoas com diabetes

14/09/2026, 10:22Bruno Rocha
Diabetes pode dificultar recuperação e agravar sequelas após Covid-19, aponta estudo da USP

Pessoas com diabetes que precisaram ser hospitalizadas por Covid-19 podem apresentar recuperação mais lenta e maior risco de complicações meses após a infecção, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa acompanhou 870 pacientes por até sete meses depois da internação. Desse total, 320 tinham diabetes e 550 não apresentavam a doença. Os participantes foram atendidos no Hospital das Clínicas da USP durante a primeira fase da pandemia, entre março e setembro de 2020.

Entre os pacientes sem diabetes, 94,3% relataram recuperação completa, enquanto entre aqueles com a doença metabólica o percentual foi de 89,8%. Os pesquisadores também observaram maior ocorrência de complicações cardiovasculares, incluindo infarto e angina, no grupo com diabetes.

As diferenças também apareceram na capacidade física. Após a alta, 21,1% dos pacientes diabéticos relataram quedas, quase o dobro dos 11,1% registrados entre aqueles sem diabetes. O grupo também permaneceu mais tempo hospitalizado: média de 16 dias, contra 13 dias entre os demais participantes.

Sete meses depois da internação, pessoas com diabetes ainda apresentavam maior fragilidade, dificuldades de mobilidade e pior desempenho em aspectos físicos e cognitivos, além de mais limitações para realizar atividades cotidianas.

Segundo os pesquisadores, uma possível explicação envolve a combinação dos efeitos provocados pela infecção com alterações metabólicas e inflamatórias relacionadas ao diabetes. O maior período de hospitalização também pode contribuir para perda de massa muscular e redução da autonomia.

O estudo identificou ainda que 7,3% dos participantes que não tinham diabetes desenvolveram a doença após a infecção pelo coronavírus. Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados não permitem afirmar que a Covid-19 tenha causado diretamente esses novos casos.

Entre as hipóteses estão a possibilidade de a infecção ter revelado um diabetes que já estava em desenvolvimento ou ter funcionado como gatilho em pessoas predispostas. Fatores como sedentarismo, obesidade, estresse e mudanças alimentares durante a pandemia também podem ter contribuído.

Os resultados reforçam, segundo os autores, a importância do acompanhamento de pacientes com diabetes mesmo depois da recuperação da fase aguda da Covid-19, com atenção à saúde cardiovascular, mobilidade e demais possíveis complicações.