Setembro Amarelo: mudanças de comportamento podem indicar sofrimento emocional em crianças e adolescentes

Irritação, isolamento, alterações no sono e queda no rendimento escolar estão entre os sinais que merecem atenção de pais e responsáveis

11/09/2026, 13:19Bruno Rocha
Setembro Amarelo: mudanças de comportamento podem indicar sofrimento emocional em crianças e adolescentes

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, lembrado em 10 de setembro, reforça durante a campanha Setembro Amarelo a importância de observar a saúde mental de crianças e adolescentes. Nessa faixa etária, o sofrimento emocional nem sempre é comunicado diretamente e pode aparecer por meio de mudanças no comportamento e na rotina.

Segundo a psiquiatra da infância e adolescência Jaqueline Bifano, crianças podem manifestar ansiedade ou tristeza por meio de dores de barriga antes da escola, dificuldade para dormir, medo de se afastar dos pais, choro frequente, irritação, recusa escolar e perda de interesse por brincadeiras que anteriormente despertavam entusiasmo.

Entre adolescentes, alguns sinais que merecem atenção são isolamento, irritabilidade e indiferença. Mudanças importantes no sono e no apetite, afastamento dos amigos, abandono de atividades, redução da comunicação e queda no desempenho escolar também podem indicar que algo não está bem.

A especialista destaca que é importante observar principalmente mudanças persistentes ou intensas em relação ao comportamento habitual. No caso da ansiedade, um dos parâmetros é perceber quando o medo começa a limitar atividades comuns, como frequentar a escola, encontrar amigos ou dormir sozinho.

O diálogo dentro de casa também é considerado fundamental. Em vez de pressionar a criança ou o adolescente para explicar imediatamente o que está acontecendo, a orientação é mencionar as mudanças percebidas, demonstrar preocupação e criar espaço para que ele possa falar e ser ouvido.

Frases que diminuem ou invalidam o sofrimento devem ser evitadas. Comparações com os problemas enfrentados por adultos ou afirmações de que a pessoa simplesmente precisa “reagir” podem dificultar ainda mais a comunicação.

Também não é necessário esperar que a situação se agrave para procurar atendimento especializado. Isolamento acentuado, abandono de atividades, prejuízo significativo na escola, crises frequentes, automutilação, consumo de álcool ou outras drogas e manifestações recorrentes de desesperança são situações que merecem avaliação profissional.

A identificação precoce das mudanças, o acolhimento familiar e o acompanhamento adequado podem ajudar a impedir que o sofrimento emocional avance e contribuir para que crianças e adolescentes recebam o suporte necessário.