Cidade de SC enfrenta surto de maruim, mosquito ligado à febre Oropouche
Infestação atinge Ilhota e preocupa autoridades; inseto se prolifera em matéria orgânica em decomposição

A cidade de Ilhota, em Santa Catarina, enfrenta um surto do mosquito maruim, principal vetor da febre Oropouche. O inseto, da espécie Culicoides paraensis, mede cerca de três milímetros e tem picada que provoca coceira intensa e irritação na pele.
Segundo a prefeitura, a infestação é mais intensa no bairro Braço do Baú e não é um problema recente, já que vem se agravando ao longo dos anos e também atinge municípios vizinhos.
O Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informa que o maruim vive principalmente em áreas rurais e florestais, com forte presença em plantações de banana. As fêmeas são responsáveis pelas picadas em humanos e animais.
Atualmente, não há produtos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com eficácia comprovada para controle direto do inseto. Por isso, a principal estratégia é eliminar os criadouros, evitando o acúmulo de matéria orgânica, como folhas e restos de frutas.
Sintomas da febre Oropouche
A doença apresenta sintomas semelhantes aos da dengue, como:
dor de cabeça intensa
dores musculares
náusea e diarreia
febre
Em casos mais graves, podem ocorrer hemorragias e complicações neurológicas, como meningite e meningoencefalite.
Os sintomas costumam surgir entre três e oito dias após a picada e duram de dois a sete dias. Não existe tratamento específico, sendo indicado repouso e uso de medicamentos para alívio dos sintomas.
Como se prevenir
O Ministério da Saúde recomenda medidas preventivas como:
usar roupas que cubram o corpo (calças e mangas longas);
evitar exposição ao ar livre, principalmente ao amanhecer e entardecer;
instalar telas de malha fina e usar mosquiteiros;
manter quintais limpos e sem acúmulo de matéria orgânica;
buscar manejo adequado em áreas com bananeiras ou outras plantações.
Apesar da falta de comprovação da eficácia de repelentes contra o maruim, o uso ainda é indicado para proteção contra outros mosquitos.
O avanço do surto acende alerta para a necessidade de ações integradas e cuidados redobrados da população para conter a proliferação do inseto e evitar novos casos da doença.