'Canetas emagrecedoras' ganham espaço e já estão presentes em um terço dos lares brasileiros

Pesquisa aponta crescimento do uso de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida no Brasil. Especialistas destacam eficácia no tratamento da obesidade e expectativa de maior acesso com a chegada de versões nacionais.

06/07/2026, 10:56Bruno Rocha
'Canetas emagrecedoras' ganham espaço e já estão presentes em um terço dos lares brasileiros

Os medicamentos injetáveis à base de semaglutida e tirzepatida, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras", estão cada vez mais presentes na rotina dos brasileiros. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, 33% dos domicílios do país já têm ou tiveram ao menos um morador utilizando esse tipo de tratamento para obesidade ou diabetes.

O levantamento, divulgado em abril, também mostra que 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que faz ou já fez uso dos medicamentos. No fim do ano passado, o percentual de lares com usuários era de 26%, indicando um crescimento significativo em poucos meses.

Especialistas ressaltam que, apesar da popularização do termo "caneta emagrecedora", os medicamentos são indicados para o tratamento de doenças e não apenas para fins estéticos.

Segundo a endocrinologista Bruna Galvão, diretora da regional mineira da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), os medicamentos atuam em hormônios responsáveis pela saciedade, retardando o esvaziamento do estômago e reduzindo o apetite.

Além disso, a endocrinologista Marcela Menezes explica que as substâncias também atuam no centro de recompensa do cérebro, diminuindo o chamado "ruído alimentar", o que facilita a adesão ao tratamento e torna o processo de emagrecimento mais confortável para os pacientes.

Importações disparam

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as importações de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro cresceram 88% em 2025. As compras somaram US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões), superando produtos tradicionais da pauta de importações, como salmão, smartphones e azeite de oliva.

A Dinamarca, sede da farmacêutica Novo Nordisk, foi a principal fornecedora, respondendo por 44% do total importado.

Versões nacionais devem ampliar acesso

A recente quebra da patente da semaglutida no Brasil abriu espaço para a chegada de novos fabricantes ao mercado.

Em maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento nacional à base de semaglutida, produzido pela EMS. Já em junho, a Eurofarma iniciou a comercialização de novos produtos com preços cerca de 50% inferiores aos praticados anteriormente.

Especialistas acreditam que o aumento da concorrência deve reduzir os custos, ampliar o acesso ao tratamento e fortalecer o mercado regulado, reduzindo a procura por produtos de origem irregular.

Segundo projeção do Itaú BBA, o mercado brasileiro de medicamentos para tratamento da obesidade poderá crescer dos atuais US$ 1,7 bilhão para cerca de US$ 9 bilhões por ano até 2030.

Além dos impactos na saúde, especialistas avaliam que a popularização dessas medicações já começa a provocar mudanças em diversos setores da economia e do comportamento da população, influenciando áreas como alimentação, academias, estética e até a indústria da moda.