Polilaminina: pacientes acionam a Justiça por acesso à substância antes da aprovação da Anvisa

Tratamento para lesão medular desenvolvido no Brasil ainda iniciará estudo clínico, mas já soma 55 pedidos judiciais de pacientes que buscam acesso à substância.

23/02/2026, 13:02@radiobomsucesso
Polilaminina: pacientes acionam a Justiça por acesso à substância antes da aprovação da Anvisa

Prestes a começar o estudo clínico no Brasil sobre a polilaminina, proteína retirada da placenta que pode devolver movimentos a quem tem lesões na medula, pacientes já acionam a Justiça para o tratamento.

Desenvolvido no país, o tratamento começou a ser pesquisado há quase 30 anos pela bióloga Tatiana Sampaio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e já tem 55 pedidos de pacientes na Justiça, sendo 30 aprovados.

Miriam Magro, pedagoga que fraturou a coluna após uma queda, é uma das pacientes que irá receber a substância. “Tenho muita fé em Deus, além da esperança”, disse em entrevista ao Fantástico.

Até agora, oito pacientes estão sendo tratados com polilaminina em estudo acadêmico. Segundo Tatiana, os resultados foram considerados históricos, com recuperação motora saltando de 10% para 75%.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de pesquisa clínica para avaliar a segurança da polilaminina. O estudo é de fase 1 e conta inicialmente com cinco pacientes, com foco na segurança do uso em humanos.

A polilaminina é formada a partir da laminina, proteína natural envolvida em diversos processos biológicos. Se os estudos forem bem-sucedidos, o tratamento pode estar disponível em até cinco anos.

Diogo Brollo, vidraceiro que sofreu uma queda enquanto trabalhava, conseguiu acesso à substância por via judicial e relatou melhora rápida. “Mandei o comando para o pé direito e consegui mexer o pé inteiro”, contou.

Atualmente, ele recuperou funções importantes, como controle da bexiga, movimento dos joelhos e aumento da sensibilidade.

Segundo pesquisadores, a aplicação da polilaminina é mais eficaz quando realizada até três dias após o trauma, antes da formação da cicatriz na medula.

Por enquanto, o tratamento foi testado apenas em pacientes com rompimento completo da medula, e os especialistas destacam que a fisioterapia é parte fundamental do processo de recuperação.

“A junção da fisioterapia com a polilaminina contribui para o processo completo”, ressaltou Tatiana Sampaio.